
Diariamente realizo grandes trajetos de metrô. Já parou para pensar num transporte coletivo mais engraçado e estranho do que metrô? É...porque se por algum motivo não carregamos algo para leitura, nos deparamos dezenas de minutos observando pessoas nunca antes vistas....É muita falta do que fazer, mas às vezes a gente pára imaginando que tipo de vida, que estórias se escondem por trás de cada rosto daqueles...Uns mais cansados, outros mais distraídos. Mais um dia do cotidiano corrido.
Embora eu esteja falando sobre o metrô hoje, eu estava pensando sobre isso ontem. Hoje à tarde, eu pude ir mais cedo para a faculdade, contemplando esse tempinho meio frio - admirando as lindas paisagens da Urca. Será que no final do semestre vou sentir falta dessas longas viagens diárias? Bom, enquanto me esforço para o término do curso lá na faculdade - vou matando um leão por vez para conseguir concluir. Ontem, felizmente consegui a tão sonhada orientação (da monografia) que precisava e já estava ficando louca. Ufa! Rsrsrsrsrs.
Lembrando de estórias de metrô...me recordei de uma muito boa. Estava eu muito cansada, com aquela cara de arrasada, voltando para casa num temporal daqueles. Depois de fazer a transferência para linha 2 do metrô, num desses vagões lotados por pessoas que fogem do trânsito em dias de chuvas - estava eu contando os minutos para chegar em casa. De repente, ao meu lado- de pé, como eu - um rapaz. Olhando com mais atenção, pude perceber que era o cara mais bem vestido que já vi - com apenas jeans e camiseta. Não sei dizer se a roupa que o vestia ou se era ele que preenchia muito bem aqueles simples trajes - o fato que o garoto se parecia com um desses Deuses Gregos, com olhos e olhar perfeitos. Aqueles dois olhos azuis, mergulhados naquela fisionomia tímida, duas maçãs do rosto róseas que abrigavam um leve sorriso, bem sutil. Segurava uma pasta, olhando para a janela do metrô. Eu na minha insignificante modéstia não iria ficar ali "secando" aquele ser perfeito, era "muita areia para meu caminhãozinho" como diriam meus amiguinhos putões de boemia - então resolvi fazer o mesmo e fitar a janela do metrô.
Quando menos percebi, ele estava olhando para mim - diretamente nos meus olhos. Entre nós estavam 4 passos e um coroa (de seus quarenta anos). Ambos desistimos de fitar as paisagens corridas do metrô e resolvemos nos fitar, um de frente para o outro. Jamais ousaria tentar uma aproximação com aquela aparição - se ele se parecesse com um mortal como eu talvez, então continuei ali naquele jogo de olhares,nem acreditando que pudesse ser euzinha mesmo.Rs. Os minutos passaram e depois da euforia, veio o conformismo: o cara deve estar com os pensamentos em alfa e eu pensando ser para mim - quando de repente, aquela voz do metrô anunciou "Engenho da Rainha", as portas se abriram....o rapaz saiu e em plena estação do metrô, ficou desenhando com os braços um coração e apontando para mim, mandando beijos, me chamando de linda - todo mundo olhando de dentro do metrô e eu pensando:"Filho da puta, não podia ter sido menos tímido e me dado o número do telefone?" - Funcionaria mais ativamente que aquela palhaçada toda com direito a platéia....rsrsrsrsrsrs. Mas tudo bem, da próxima vez, vou ser menos modésta e confiar que um Deus Grego pode se interessar por mim (simples mortal e farrista) e eu darei meu telefone....rsrsrsrsrsrsrsrsrs.